A sombra é nosso lado obscuro projetado. Pode ser o que gostaríamos que fôssemos, ou o que abominamos de mais mesquinho e cruel de nossa personalidade, a qual se estende na interação com as coisas e animais - assim somos - que cruzam pelo nosso caminho. A sombra é a distorção de nós mesmos, ou a confirmação de uma existência obrigatória, que impede a passagem de luz na medida certa de produzir a própria sombra. Brinca com nossa maleabilidade. A sombra não existe sem nós, mas nós não precisamos dela, a não ser como referência do que estamos deixando de ser ou o que devemos evitar. Conviver com a própria sombra e com a de outros implica o mandatório estado de alerta que nos faz rever o quanto nos afastamos de nossos propósitos, nós dá a dimensão do crime cometido por nós contra a finalidade e sentido da vida. A sombras ensinam. Observe-as. Ou não.


Nenhum comentário:
Postar um comentário