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domingo

Black Out eu Estava Lá

Mais ou menos entre 4h e 5h da tarde, estava na fila para pagar uma mercadoria na BH Photo, quando um funcionário nos orientou, falando alto e repetidamente : "todo mundo pra fora da loja ". Um minuto antes, as luzes haviam apagado e o gerador entrara em ação, fato que só notei quando alcancei a rua, de volta para o Hollyday Inn, acho que na 6º avenida, a duas ou três quadras da SuperStore de Manhatan. No trajeto da loja ao hotel comecei a notar o crescente amontoado que se formava nas ruas, à medida que as pessoas iam saindo dos prédios e tomando as calçadas. Aos poucos o cenário ficava parecido com um filme do cinema-catástrofe, centenas de pedestres caminhando, carros de polícia com sirenes ligadas , pedindo passagem entre os veículos desnorteados pela morte dos sinais de trânsito. O apagão havia sido geral. Uma demanda de energia, em função do calor, fez o sistema entrar em colapso.  No hotel,  ao encontrar outros tripulantes, fiquei sabendo que o voo não sairia. Ninguém sabia ao certo o que causara o "power surge" de 3.500 mega watt;  mas suspeitava-se de outra merda terrorista. O 11 de setembro  fora ressuscitado imediatamente, entretanto a culpa era dos aparelhos de ar condicionado, tentando amenizar os 31 graus do meio de agosto.

O tempo passava, e não vinha a solução. Sua ausência trouxe um clima amargo para todos. Milhares voltavam a pé para suas casas. A água do hotel acabara, tentávamos conseguir alguma pelas esquinas, junto com sanduíche ou biscoito. Por volta das 9h ou 10h da noite devo ter subido, pela escada, até meu quarto que ficava num piso alto, não me lembro exatamente em qual andar. Deitei, sonhando com noites mais iluminadas. No dia seguinte o caos continuou, linhas de telefone congestionadas, sem comida e sem água, todos aguardavam uma notícia boa. Não havia TV, internet, nada. Depois de almoçarmos alguns biscoitos remanescentes da caridade da gerência do hotel, recebemos o esperado : " o aeroporto já tem energia elétrica , o voo vai sair" . Tomei banho, molhando uma toalha na água que ficava no reservatório da descarga do vaso. Ou sujava, ou me banhava ...

Pior foi o terremoto de 17 de janeiro de 1994, ocorrido no feriado de Martin Luther King Jr. Eu morava num condomínio chamado Vila Verde, em Torrance CA. O barulho de um terremoto, para quem está dormindo num colchonete no chão, é o de um trem passando não muito longe.

Ainda pior foi o 11 de setembro, uma segunda-feira inesquecível, quando acabamos ficando retidos em Miami durante boa parte da semana. Voltamos na sexta à noite no primeiro voo autorizado da querida Varig, dos EUA para o Brasil. Eu fazia parte da tripulação, que vagava pelas redondezas do hotel, à procura de um lugar que vendesse qualquer tipo de comida. Mas essas histórias, talvez as contarei depois...






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